Igreja nos lares?

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Igreja, o Corpo de Cristo

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Jesus na célula

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Deus e o diabo

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O reino do deus das emoções

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rm.12:2

Como me entristeço ao ver a manipulação de sentimentos nas reuniões cristãs. Tanto em grandes denominações com milhares de seguidores até pequenos grupos que se reúnem em casas ou nas ruas o importante é que aqueles que assistem (como se na igreja houvessem expectadores) sejam tocados em seus sentimentos, “sintam Deus presente”, chorem, tenham uma experiência na alma, mas com ar espiritual, mesmo que saiam da mesma forma como entraram e necessitem de um novo culto para renová-los.

A manipulação vai desde as músicas, ensaiadas de antemão para levar o povo ao “clima” da reunião até a palavra preparada e executada com maestria para levar os sentimentos ao êxtase “espiritual”. Com dolo premeditado é fabricado um estado de alma sensível, um sentimento que é um misto de pesar, alegria e expectativa. Os “louvores” podem não tocar o coração de Deus, mas tocam o coração dos ouvintes, as orações tocam fundo na alma, ora prometendo grandes transformações “nessa noite”, ora levando os irmãos a uma introspecção de seu papel dentro da comunidade. Por fim a palavra, o ápice da reunião, onde os expectadores são levados em seus sentimentos ao local que o preletor desejar. Pode ser um profundo “quebrantamento” de alma, com choro e clamor ou ao êxtase coletivo e desenfreado com promessas de grandes benções e da presença de Deus.

Ao término os irmãos têm a sensação de terem sentido a presença do Deus, de serem tocados pelo Espírito e de poderem viver tudo quanto lhes foi apresentado, às vezes até as verdades do Reino. Fácil assim, como em um toque de mágica, sem arrependimento, sem renúncia nem esforço. Entretanto a volatilidade dos sentimentos não permite nada duradouro, pois ao menor sinal de provação ou lutas os sentimentos entornam e o abençoado sai dos céus para o inferno e deseja ardentemente mais daquela bajulação de alma que faz parecer que ele está tão perto de Deus. Basta uma bronca do chefe, por um trabalho mal feito (aliás, crente deveria ser exemplo em seu trabalho) ou uma divergência com o cônjuge onde nenhum dos dois quer perdoar, apesar de serem tão espirituais durante o culto, e toda a crentinice desce pelo ralo, deixando apenas a certeza que no próximo culto tudo será renovado.

Não existe transformação de entendimento, mudança de mente e confissão de pecados, tudo gira em torno dos sentimentos e das emoções. Ninguém se compromete com nada, com nenhuma mudança de caráter, com nenhum compromisso profundo com seu irmão e muito menos com o serviço ao próximo. O desejo é de alimento para a alma, sentir-se perto de Deus, ser abençoado, nem de longe passa pela cabeça ser transformado à semelhança de Jesus custe o que custar, mesmo que custe renunciar a própria vida (e custa, basta ler os evangelhos!). Não me admira que a maioria seja como o sal sem gosto, como lamparina apagada, como marionetes que enquanto o pastor as manipula durante o culto a aparência é de grande gozo e quebrantamento, mas no dia-a-dia, onde a luz deveria brilhar, o sal deveria salgar para nada mais prestam senão para envergonhar o evangelho demonstrando um caráter pior do que de ateus, descrentes e “vizinhos endemoniados”, apesar de cheios de arrogância religiosa. Não experimentam a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus, pois não é isso que buscam, mas sim serem saciados em suas próprias vontades.

Pior ainda são os líderes que aprendem a arte da manipulação de massas e se regozijam quando ao fim do culto ouvem: Nossa, o culto foi bom demais hoje! Senti a presença de Deus. Mas afinal o culto é para Deus ou para os irmãos? Não seria justo pensar se Deus gostou do culto, se o Pai das luzes se agradou do que aconteceu? Se tudo quanto foi dito, ouvido, cantado, orado cooperou com a transformação do nosso caráter ao caráter de Cristo ou apenas tocou em nosso sentimento? Parece que o pensamento comum dos líderes é: Se os irmãos não gostarem do culto, se sentirem incomodados ou forem confrontados com seus pecados eles não voltam mais! Tenho que prometer bênçãos e deixá-los dependentes de minha palavra que cura e liberta, afinal Deus quer que todos sejam felizes e eu sou se servo, chamado para trazer paz e felicidade geral. É isso que Deus quer mesmo?

Enquanto isso a igreja se cala, não é modelo de ética, santidade e pureza. Não bate na cara do mundo com seu caráter, antes demonstra um caráter coletivo interesseiro muito pior do que o dos ateus que são bons apenas pelo prazer de serem bons e éticos, não por medo de uma punição ou pelo interesse da benção. O mundo olha para a igreja e se sente superior, até mesmo mais santo, mais puro, mais honesto, pois pelo menos não vive na hipocrisia de falar que não faz, mas em oculto não apenas fazer como aprovar os que fazem e ainda ir com a cara mais lavada do mundo ao culto e condenar os que não fazem o mesmo. Hipocrisia sempre foi o pecado dos religiosos...

Que nosso Pai tenha misericórdia da Igreja e levante líderes sem interesses pessoais e comprometidos com o chamado de ir, fazer discípulos e ensiná-los o que Jesus ensinou. Que exponha os que se empenham apenas em prometer bênçãos e manipular massas para encher seus bolsos e seus egos. Que o Pai tire os comedores de carne de ovelhas e levante pastores de rebanhos comissionados pelo dono das ovelhas, dotados do zelo daqueles que cuidam das preciosidades alheias, lembrando que o alheio não é ninguém menos que Deus em toda a sua plenitude e propósito. Que os milagres feitos por esses tragam quebrantamento coletivo, não cobiça coletiva e super valorização do ego e que por fim a igreja seja a manifestação de Jesus na terra. O corpo daquele que hoje está nos céus, Cristo, manifestando sua presença entre as nações.