Igreja nos lares?

Existe um movimento crescente de pessoas que deixam as congregações tradicionais para reunirem em suas casas; em grupos organizados ou não. Muitos defendem que, assim como a igreja do primeiro século se reunia em casas, o local correto da reunião da igreja é, obrigatoriamente, a casa dos irmãos. Afinal, o local onde se reune define a Igreja? Leia mais...

Igreja, o Corpo de Cristo

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Jesus e a teologia da prosperidade

Somos filhos do Rei, logo devemos ser prósperos? Quem não é está em pecado? O que diria Jesus sobre a teologia da prosperidade?

Jesus na célula

Foi um encontro inusitado. Jesus estava passeando pelas ruas de Brasília, passou pela rodoviária do Plano, aquela multidão, ninguém o reconheceu. Viu um jovem a passos largos, bíblia embaixo do braço, se aproximou:...

Deus e o diabo

Não existe, nunca existiu e nem existirá uma luta épica entre Deus e o diabo. Satanáz sempre soube...

sábado, 2 de novembro de 2013

Amar o próximo

Você ama o próximo?

Esse é um assunto mais do que batido. Todo mundo fala, todo mundo sabe, já foram feitas várias pregações e palestras sobre o tema, mas quase ninguém consegue praticar. Talvez, um dos maiores motivos seja o desconhecimento do significado de “amor” para Deus. Amor, uma palavra tão usada, de formas tão distintas, com significados tão diversos, que é possível que o que Jesus quis comunicar ao dizer “ame o próximo”, não tenha hoje o mesmo sentido que ele desejou que tivesse. Além disso, nossa sociedade é tão egoísta, que o mais comum é vermos pessoas usarem esse mandamento como forma de proteção para seu ego e estilo de vida. Não é comum o seguinte uso: “Ué, Jesus não mandou amar o próximo? Você tem que me amar como eu sou!” ou: “Como você pode ficar indignado assim? Jesus não mandou você amar o próximo?”. Esse tipo de argumento está longe de retratar o que Jesus disse. Primeiro porque amar não tem nada a ver com aceitar tudo (inclusive em muitas situações é justamente o contrário), não ter opinião sobre nada ou ficar calado para não causar mal estar ao próximo (o próprio Jesus que o diga). Segundo, Jesus mandou cada um amar seu próximo e não cobrar que os outros o façam em benefício próprio. O amor é uma doação e não uma reivindicação!

Para entender um pouco sobre o amor que Jesus falou, temos que tentar enxergar algum exemplo prático da parte de Deus ou de Jesus. João, em seu evangelho disse: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho”. Temos duas palavras chave: “amou” e “deu”. Essas duas palavras nos dão uma dica sobre o significado desse amor, que não é teórico ou sentimental, mas prático. Porque amou o mundo, Deus deu algo. E não deu qualquer coisinha, um presentinho comprado no shopping ou mesmo em uma concessionária de veículos 0 km. Deus aquilo que ele tinha de melhor, de mais valioso, que lhe era insubstituível por mais poder que o próprio Deus tivesse... Jesus era insubstituível! Deus correu todo o risco. Entretanto, se o exemplo de Deus fica muito distante; afinal ele era Deus, temos o exemplo de Jesus, Deus encarnado, que como disse João mais tarde: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós...”. Veja bem: conhecemos o amor nisso, que ele deu! Novamente ele deu algo que não tem preço. Não pode ser reavido, não da mesma forma como foi entregue. Ele deu a própria vida! Esse é o amor de que Jesus fala. Não um sentimento, capaz de fazer bater mais forte nosso coração, suar nossas mãos ou nos levar às alturas. Mas uma decisão difícil, dura, que é capaz de nos levar à sepultura.

Você ama? O próximo?

Vamos agora para a segunda etapa dessa pequena ordem de Jesus: o próximo! Havia um homem muito bondoso, justo e fiel. Ele era dedicado à luta pelos fracos, as minorias. Ajudava em diversas iniciativas, sempre presente em manifestações populares, dedicado a ensinar a igualdade e fraternidade entre os homens. Esse homem, em uma viagem para conhecer comunidades carentes na África, se deparou com um jovem que fora assaltado e espancado. Tentou buscar ajuda com outras pessoas, mas ninguém se importava com o desconhecido. Não havia hospital público em que pudesse levá-lo e o aconselharam a chamar as autoridades e deixa-lo só. Ele desconfiava que se deixasse, o desconhecido morreria, pois sabia como era carente aquela região. Ele estava de posse de uma considerável quantia em dinheiro que iria usar para ajudar uma comunidade carente daquela cidade a ter o mínimo de condições de higiene e saúde. Pensou que poderia usar o dinheiro para buscar ajuda e interná-lo em um hospital particular, mas vacilou, pois ao salvá-lo poderia deixar de beneficiar muitos outros. Salvar o homem seria uma tarefa solitária, que não teria grande impacto social e certamente não mudaria o mundo. O que fazer?

Sem medo de errar, Jesus salvaria o desconhecido. Como posso afirmar isso? Pelo simples fato de que foi isso que ele fez! Jesus, com toda sua força, poder e liderança poderia ter feito coisas extraordinárias pela humanidade durante os poucos anos que passou no mundo. Pensem bem, as mulheres eram tratadas como lixo, a escravidão era normal, era comum o sacrifício humano em cultos, um governante tinha o direito de mandar matar todos os bebês de sua cidade, sem que nada lhe acontecesse. Jesus tinha condições de mudar tudo isso. De lutar pelos fracos, de ajudar os necessitados, de libertar os cativos e mudar os rumos daquela sociedade. Mas não o fez! O que Jesus fez foi mudar a história de indivíduos. Ele acudiu quando o fraco, o necessitado e o cativo tornaram-se um “próximo”. Ele o fez quando teve condição de olhar nos olhos deles, amá-los e mudar a história de cada um. Ele não libertou o cativo como parte de um grupo, de uma minoria; não restabeleceu a justiça social. Ele libertou a adúltera que seria apedrejada em sua frente, o cego que o interpelou pelo caminho, a mulher à margem da sociedade por causa de um fluxo de sangue que tocou em suas vestes, o cego que gritou em seu socorro... Ele não lutou pelas minorias, ele lutou por pessoas; ele não amou as minorias, ele amou os que cruzaram seu caminho; ele não libertou o escravo de seu amo, ele libertou o escravo de si mesmo. Ele amou os discípulos, serviu aqueles que andavam com ele, comiam com ele, dormiam com ele; e os amou até o fim, mesmo em meio a muitas falhas.

Você ama o próximo como a ti mesmo?

Por que Jesus falou para amarmos o próximo como a nós mesmo? A resposta é simples: porque se amarmos alguém como nos amamos ele não será mais um na multidão. Não será uma causa a ser defendida, uma classe de pessoas a ser auxiliada. Afinal, quando se trata de amor não queremos ser mais um na multidão. Queremos alguém que nos ouça, que olhe em nossos olhos, que valorize nossos problemas, que esteja conosco nas nossas necessidades, lutas e fraquezas. Dizer eu amo os pobres da África, eu amo as crianças ou eu amo os injustiçados é pura balela. Você não ama nada! Você pode ter dó, piedade, misericórdia ou algo assim. Amor não. Veja bem, não estou afirmando que não devemos lutar contra as desigualdades sociais, em favor do oprimido. Estou dizendo que lutar pelos oprimidos não é amar o próximo. Se você luta pelos oprimidos, parabéns! Continue em sua labuta e desejo-lhe vitória em todas as suas batalhas. Mas se você não ama o próximo, não está cumprindo o mandamento de Jesus. Um não substitui o outro. Jesus não lutou pelas classes oprimidas de seu tempo, mas amou intensamente todos que cruzaram seu caminho. Militar pode ajudar a melhorar a sociedade, se obtivermos sucesso, amar certamente muda a nós mesmos e a quem amamos, e sempre se obtém sucesso. Talvez não o sucesso pomposo que se obtém ao ser um líder social que logra êxito em seus projetos...

É certo que, se todos amassem o próximo não seria necessário luta social... Isso é possível?

Eu acho o seguinte: nunca alcancemos uma sociedade em que todos amem o próximo. Entretanto, aos que se dizem seguidores de Jesus, amar o próximo é obrigatório. Boa sorte!



sábado, 5 de outubro de 2013

Seguir os passos de Jesus – Somos inúteis

O primeiro ponto, e talvez o mais importante a ser observado para se obter algum êxito em seguir os passos de Jesus, é entender, no mais profundo do seu ser, que você é um inútil [1]. Faça uma busca em seus livros cristãos e jogue fora todos os que dizem que você é especial, filho do Rei, que Deus tem um propósito maravilhoso para sua vida, que você é cabeça e não cauda, que você nasceu para dominar as nações e todas essas baboseiras. Não dê esses livros para ninguém, prestaria um desfavor a um amigo. Separe-os e toque fogo em todos eles. Faça uma fogueira santa e dance alegremente em volta das chamas. A verdade que deve ser entendida é que você é inútil para o Reino de Deus [2], você não serve, não tem nada de especial e muito menos tem um chamado para ser alguém especial. Fique feliz se conseguir ser mais um em Cristo [3].

O segundo ponto é: além de você ser inútil, Deus não lhe promete nenhum tratamento especial por ter decido aceitas as Boas Novas do Reino [4]. Nenhuma diferença no dia-a-dia, nenhuma vantagem sobre as demais pessoas, e nem mesmo uma vida mais feliz e tranquila. A verdadeira promessa que nos foi dada é contrária a isso tudo [5]. Se alguém lhe prometer algo diferente do que o próprio Jesus prometeu, fique atento, é fraude das brabas [6]! Se você está indo de vento em popa, sem nenhuma preocupação e todas as coisas cooperam para seu bem estar, desconfie. O que deve estar ocorrendo é que você se moldou há esse século [7] e está totalmente vendido ao príncipe desse mundo [8], vivendo na arrogância e se achando um cristão de primeira estirpe, um abençoado. Se colou algum adesivo no carro dizendo: ganhei de Jesus, sou filho do Rei ou pior, não sou dono do mundo, mas sou filho do dono, a coisa está péssima para seu lado. Afinal, pense bem, que é o dono desse mundo [9]?

Temos que lembrar, sempre, que nem mesmo Jesus se achava alguma coisa, ou fazia alguma coisa porque ele era bom; ou se achava bom [10]. Tudo o que ele fazia vinha do Pai, nada era diretamente dele [11], de sua capacidade ou da lembrança de sua vida pregressa nos céus. O fato é que Jesus fez algo impensável. Abriu mão de tudo o que era para tornar-se servo [12]. E olha que o que ele abriu mão está infinitamente mais distante do que qualquer coisa que possamos comparar em nossas vidas. Ele abriu mão da eternidade, abriu mão de ser Deus, abriu mão de todas as suas prerrogativas celestiais. Se ele apenas negasse sua infinita grandeza divina e viesse para reinar na terra, subjugar todos os reinos como homem, só que sujeito às mazelas da humanidade, já seria algo impressionante. Mas, além disso, ele, inexplicavelmente veio servir a humanidade que não tinha nenhum interesse por ele [13]. E pior, não veio servir com sua infinita capacidade, inerente a sua posição e conhecimento, veio ser submisso em tudo a Deus. Não pode nem usar seu imenso potencial [14].

Então para seguir Jesus precisamos começar do começo. E o começo é renunciar a tudo o que somos e temos [15], todas nossas fortalezas e fraquezas. É entender que sem Jesus nada podemos fazer [16]. É nos revestirmos do mesmo sentimento que houve nele [12] e, mesmo sendo dignos de grandes coisas, nos tornarmos servos obedientes a Deus, sabendo que tudo que é bom vem dele [17], deve ser feito por ele e todo crédito vai para ele [18]. Para nós não tem glória, para nós não tem prêmio, para nós não tem pagamento, pois somos inúteis, fazemos apenas a nossa obrigação [19]. A única coisa que podemos obter, se de fato somos como Jesus, é o mesmo tratamento que ele obteve [20]. Se estivermos sendo tratados melhor do que ele, certamente não estamos buscando o mesmo que ele buscava.

Então, quando sentir que foi injustiçado, que as pessoas estão sendo hipócritas e só você é verdadeiro. Quando for traído e perceber que todos falharam com você, ao invés de sair por ai praguejando, dizendo que não existe igreja, que Deus é papo furado, fique alegre [21]. Afinal, foi assim que aconteceu com Jesus, ele foi traído pelos mais íntimos [22], abandonado pelos amigos [23], injustiçado pelos mesmos que curou nas ruas, pois escolheram salvar o ladrão e crucificá-lo [24]. E pasmem, não praguejou contra Deus, nem mesmo ficou de mal de seus amigos [25]. E sobrou espaço em seu coração para perdoar os guardas que praticaram atrocidades com ele, pois “não sabiam o que estavam fazendo” [26]. E, se ficar difícil, pois afinal, você merecia algum tipo de respeito e consideração, lembre-se que Jesus, esse sim merecia respeito e consideração. Ele deixou o céu, abandonou todo o poder e eternidade, para se tornar mortal e finito. Foi injustiçado, ultrajado, torturado e morto, sem nenhuma culpa. Você, provavelmente, é tão falho, hipócrita, mentiroso, traíra, quanto àqueles que condena. Talvez, seja apenas incompetente para estar por cima e injustiçar os outros... ainda não teve essa oportunidade. Ou teve, aproveitou e nem percebeu.

[1] Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só. Romanos 3:12
[2] Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5
[3] Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo, e em todos. Colossenses 3:11
[4] Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Mateus 5:45
[5] Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33
[6] Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Mateus 4:8-9
[7] E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2
[8] Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; Efésios 2:2
[9] Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. 1 João 5:19
[10] E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. Marcos 10:18
[11] Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. João 5:19
[12] Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Filipenses 2:6-8
[13] Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. João 1:11
[14] Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. João 14:31
[15] E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Lucas 9:23
[16] Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5
[17] Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Tiago 1:17
[18] Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:36
[19] Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. Lucas 17:10
[20] Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. João 15:20
[21] Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. Mateus 5:11-12
[22] E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem? Lucas 22:48
[23] Então, deixando-o, todos fugiram. Marcos 14:50
[24] Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum. Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador. João 18:38-40
[25] Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. João 21:12-14
[26] E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes. Lucas 23:33-34

Agradecimento a Bíblia online (www.bibliaonline.com.br) por facilitar o copiar e colar.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Novo site - Somos Igreja

terça-feira, 28 de maio de 2013

Igreja, o corpo de Cristo

O CORPO DE CRISTO

A estrutura das igrejas locais relatadas no Novo Testamento se assemelha muito mais a uma família do que uma organização religiosa. As reuniões eram mais voltadas a uma vida em comum do que cumprir metas, mesmo se pensarmos em metas “espirituais” como evangelismo, libertação e crescimento cristão. Os irmãos normalmente faziam parte de um lar específico e ali compartilhavam suas vidas e buscavam ao Pai como um corpo.

“Saudai a Priscila e a Áqüila, [...]. Saudai também a igreja que está em sua casa.” Rm.16:3;5

“E à nossa amada Afia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa” Fp.1:2

“Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja.” Rm.16:23

“As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa” ICo.16:19

“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,” At. 2:46

“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.” At. 4:32

“Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.” Jo.17:23

A organização das igrejas era muito mais voltada à comunhão, serviço mútuo e serviço ao próximo do que organização de eventos. Assim como em uma família, alguns papéis eram claramente estabelecidos com vista ao crescimento saudável e conjunto de toda a congregação. Diferente de uma estrutura piramidal, a organização de corpo só funciona se cada parte realizar o seu trabalho. Como no nosso corpo, se um dos membros não cumprir a sua função teremos dificuldade de realizar algumas tarefas. Na estrutura piramidal apenas alguns membros tem que funcionar, o restante é ouvinte. No último caso não existe importância caso o crescimento não seja uniforme, pois os membros são independentes entre si, mas no corpo todos devem crescer juntos. Já imaginou um corpo que um braço cresce mais do que o outro, ou cada dedo cresce até onde desejar? Seria um corpo disforme. (Ef.4)

CORPO
ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA
Reuniões no estilo família
Reuniões no estilo palestra
Busca de Deus na comunhão
Busca de Deus na individualidade
Crescimento em conjunto e humildade
Crescimento individual e astros da fé
Organismo vivo
Organização piramidal
Estrutura serve as pessoas
Pessoas servem a estrutura
Tratamento individual
Tratamento coletivo

ODRES A SERVIÇO DO VINHO

O que é mais importante: o odre ou o vinho? Na parábola de Jesus, Ele dá a dica para ambos se conservarem (Mt.9:17; Mc2:22; Lc.5:37), mas fato é que o odre existe em função do vinho. Sem vinho não tem necessidade de odre, pois ele existe apenas para guardá-lo. Assim é com relação a igreja. O vinho é a vida do corpo, a operação do Espírito Santo em cada membro e o odre é a estrutura necessária para que essa vida não se perca. A estrutura deve servir os irmãos e crescer de acordo com o crescimento da congregação. Não é sábio colocar vinho novo em odre velho.
Como esse material é específico para tratar a organização da nossa igreja local em outubro de 2009, não irei abordar os ministérios específicos, dons e serviços do Corpo, mas a estrutura mínima, o odre que devemos estabelecer para dar suporte ao vinho novo que o Senhor tem derramado sobre nós.

GRUPOS DE DISCIPULADO

O discipulado foi a forma que Jesus utilizou para ensinar seus discípulos. No discipulado Jesus pode transmitir não apenas estudos, mas sua vida. Ele ensinava como praticar os valores do Reino como o amor, perdão, serviço, amizade, santidade com a sua própria vida não com estudos seriados. O trabalho de Jesus não era informar seus discípulos, mas formar o caráter pela palavra e o exemplo (palavra encarnada).

Quando somos chamados para viver em igreja nos tornamos participantes dessa vida e devemos estar prontos para servir aos irmãos através do discipulado. Para isso devemos olhar para Jesus e entender qual é a natureza desse relacionamento, para não humanizarmos nem hierarquizarmos a igreja:

1. Para discipular Jesus tornou-se servo

O discipulado não é uma função hierárquica, mas um serviço que um irmão em amor presta a outro irmão (ver Fp.2:5-8). Para cuidar de alguém é preciso ser SERVO. Quando os discípulos discutem quem deles seria o maior, Jesus não repreende o desejo de ser grande, mas explica como no Reino funciona a grandeza: O maior é aquele que serve a todos. Aquele que pode edificar por ter recebido algo de Deus tem a responsabilidade de dar o que recebeu em amor e serviço a seu irmão (ver Lc.22:24-27). Essa é a missão daquele que discípula: servir a seu irmão em amor, para que ele cresça e dê frutos.

2. Jesus ensinava com a sua vida, se comprometia totalmente

O discipulado era um compromisso de “misturar” vidas. Jesus não tinha apenas encontros marcados com seus discípulos para ensiná-lo, mas misturou sua vida com a deles possibilitando que os discípulos vissem como Jesus vivia as verdades do Reino. Eles viram Jesus lidar com Deus, inimigos, religioso, família, milagres, dúvida, lutas, demônios. Depois de viverem com Ele por 3 anos e meio foram capazes não apenas de ensinar, mas de viver o evangelho e motivar outros a fazerem o mesmo.

3. O discipulado é para envio e boas obras

A missão de Jesus com seus discípulos não era tê-los a seu lado para sempre. Ele desejava que eles crescessem a cada dia e se tornassem não apenas servos, mas amigos e conhecessem tudo quanto se passava nem seu coração (Jo.15:15). Então Jesus os enviou para multiplicar a vida do Reino e promete que eles fariam obras ainda maiores, pois teriam a ajuda do Espírito Santo. A meta do discipulado é apresentar cada discípulo ao Pai para crescimento e enviá-lo a multiplicar a graça recebida. Devemos nos alegrar com o crescimento dos discípulos e não sermos empecilho para a obra de Deus em suas vidas.

GRUPOS DE EDIFICAÇÃO MÚTUA


A edificação mútua aparece no Novo Testamento inúmeras vezes (ver Rm1:12; Rm.14:19; Rm.15:2; ICo.12:25; ICo.14:26; Ef.4:16; Its.3:12; IITs.1:3; IPd.5:5). Na edificação mútua a igreja funciona como Corpo, cada membro cumprindo seu papel, crescendo em unidade e amor. É um erro crermos que apenas os líderes oram, trazem palavra e cultivam uma vida diante do altar de Deus. Ao cultivar um ambiente de confiança e liberdade crescemos em compromisso e comunhão e usamos nossos dons e talentos em favor da igreja.

Nos grupos de edificação mútua todos têm liberdade de exerceu seu papel como parte do corpo e até mesmo errar, pois assim crescemos e aprendemos a usar os dons que recebemos. Podemos ver exemplos dos discípulos de Jesus, ao ficarem a sós terem atitudes contrária ao Reino, mas isso fez parte ao aprendizado (ver Lc.9:52-55; Mc.9:38-39). Para crescermos como corpo precisamos:

1. Ser transparente e verdadeiro

Para ficarmos disponíveis a edificação mútua precisamos ser transparentes e verdadeiros com os irmãos que fazem parte de nosso grupo. Não é possível edificarmos um relacionamento de comunhão se escondemos quem somos, o que pensamos e o que fazemos. Só podemos ser edificados se permitirmos relacionamentos de intimidade (IJo.1:7).

2. Sempre desconfiar bem dos irmãos

Nos relacionamentos próximos é muito fácil magoarmos ou sermos magoados. Isso não acontece em relacionamentos distantes, pois não há intimidade suficiente e as expectativas são menores. Portanto necessitamos transformar a nossa mente pela palavra para amarmos os irmãos. As características do amor que são essenciais para os relacionamentos de edificação mútua são: não suspeitar mal, tudo sofrer, tudo esperar e tudo suportar (ver ICo.13). Não podemos impor nosso ritmo de crescimento ao nosso irmão até porque em cada área que achamos que ele não cresceu temos também áreas em nossas vidas que necessitamos de crescimento. Devemos seguir a verdade em amor e ajudar aos irmãos a crescerem verdadeiramente em Cristo e isso leva tempo (Ef.4;15). Não adianta somente a verdade, precisamos seguir a verdade em amor.

3. Perdoar sempre

Quanto maior é a ofensa de um irmão contra outro maior é a necessidade de perdão. Muitas vezes justificamos a falta de perdão pela gravidade da falta contra nós, mas as maiores faltas são aquelas que necessitam mais imediatamente do perdão e restauração do Espírito. A ofensa não perdoada pode caminhar para a amargura que contamina a muitos e causa naufrágio na fé (ver Hb.12:15; ITm.1:19). O perdão que recebemos do Pai é de acordo com a medida que liberamos perdão aos outros, portanto perdoe sempre (ver Mt.6:9-12). Não existe nenhum mandamento na palavra para o ofensor buscar o ofendido e pedir perdão, mas existem vários para o ofendido perdoar. Se você deseja viver no corpo e edificar deve perdoar sempre (ver Ef.4.32).

4. Busque oportunidades de estar juntos

Tudo isso não tem sentido se não existe oportunidade de ser praticado. Precisamos fugir da postura de sermos apenas ouvintes. Temos que ter atitude e praticar a palavra; discursos bonitos não servem para nada a não ser inflar o ego do orador (ver Tg.1:22-25). Busque oportunidade de edificar durante seu dia a dia pessoalmente e quando não pude utilize as ferramentas que temos atualmente: telefone, celular, Orkut, MSN, etc... Promova encontros e eventos, cultive amizade e acima de tudo busque oportunidade de servir com seu dom (ver Rm.12).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Igreja nos lares em Brasília


A vida da Igreja não acontece em reuniões formais. Ela acontece no dia-a-dia quando pessoas se comprometem com Jesus e umas com as outras. São compromissos crescentes muito além de religião, dogmas, cultos, eventos, passeatas e qualquer outra programação, esporádica ou frequente.

Não é necessário local especial, ou eventos especiais, mas apenas pessoas; pessoas com a firme convicção de que Jesus é Senhor e tem como propósito que o guardemos seus mandamentos e amemos uns aos outros.

"Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele." Jesus, registrado em Jo. 14:21

"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jesus, registrado em Jo. 13:34-35

Esse é o tipo de vida cristã que buscamos: uma vida normal, simples, empenhada primeiro em uma transformação pessoal à imagem de Jesus e depois em um compromisso de amor, amizade e serviço para com os irmãos.

Estamos em Brasília e se quiser saber mais entre em contato no e-mail marcos@comunidadec3.com.br

Leia também:
- Igreja, família de Deus
- O que é Igreja
- Igreja nos lares?
- Pedras ou tijolos?
- Massificação e cristianismo



http://filhoimperfeito.blogspot.com.br/2009/09/igreja-familia-de-deus.html
http://filhoimperfeito.blogspot.com.br/2009/10/o-que-e-igreja.html

sábado, 20 de abril de 2013

Política e cristianismo

Sobre tentar forçar toda a sociedade a seguir princípios cristãos, é sempre bom lembramos que devemos proclamar o evangelho e não o padrão de Deus para seus discípulos. Nem todos andarão no caminho de Jesus, Ele mesmo disse isso, portanto não podemos obrigar toda sociedade seguir principios que são para aqueles que seguem Jesus e tem do seu Espírito.
 
Quando Jesus chegou à terra os judeus eram escravos de Roma e a idolatria era comum. Jesus não lutou nas esferas políticas ou religiosas, não militou para mudar leis ou proibir atitudes contrárias aos seus ensinos. Antes ele atuou pessoalmente, como exemplo de boas obras e influenciou pessoas. Após sua morte a politica continuava inalterada, mas algumas pessoas foram transformadas.

Quando a Igreja se ocupar em alinhar sua prática com a prática de Cristo, deixar de tentar promulgar leis que somente tem sentido àqueles que seguem ao evangelho e servir ao proximo, quem sabe mude essa péssima impressão que atualmente os cristãos deixam por onde passam. Afinal, o Evangelho verdadeiro deveria ser uma Boa-Nova para toda a humanidade, não uma militância política desprovida de qualquer amor prático.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O egoísmo e a instituição

O egoísmo está presente nas pessoas e não na instituição.
A instituição apenas exterioriza o egoísmo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Igreja nos lares?

Existe um movimento crescente chamado igreja nos lares que vem tomando espaço na mídia, além de preocupar líderes de igrejas tradicionais baseadas em templos religiosos. Esse movimento tem como essência uma tentativa de retorno à prática da igreja do primeiro século onde, segundo afirmam, as reuniões aconteciam nas casas.

É possível perceber um aumento significativo no número de cristãos que se sentem incomodados com o rumo que a igreja institucional tem tomado. Esse incômodo se manifesta de diversas maneiras, desde a desistência da fé até a busca de um grupo "mais verdadeiro", parecido com a igreja primitiva; com infinitas possibilidades entre esses dois extremos. Talvez ai comece um dos problemas da chamada igreja nos lares: a frustação e a falta de perdão. Vou falar sobre isso um pouco mais adiante. Por ora falemos da igreja primitiva e de como ela se reunia:

E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46
"E perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..." Atos 2:46

Podemos perceber que no início da Igreja, os irmãos do primeiro século reuniam-se todos os dias no templo, além de dividir o pão em casa. Encontramos, além desse relato, vários outros que referenciam alguma reunião ou ida de irmãos ao templo para orar. É necessário entender que o templo referido nesse texto é o templo de Jerusalém, uma sinagoga judaica.Os primeiros irmãos eram judeus, sendo que os gentios só se juntaram a igreja a partir da conversão de Cornélio, capítulo 10 de Atos.

Após a chegada de gentios - não judeus - à Igreja, percebemos que as idas coletivas ao templo cessaram, acontecendo uma ou outra visita pessoal de discípulos judeus, para oração ou cumprimento de algum ritual judaico. Esse afastamento foi necessário, até porque os gentios eram proibidos de entrarem na maior parte das áreas do templo, e sua entrada em algumas áreas poderia ser punida com a morte. A Igreja, então, começa a se reunir nas casas dos irmãos:

"Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa." Rm.16:5
"Áquila e Prisca, com a comunidade que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações." ICo.16:19
"Saudai os irmãos de Laodicéia, como também a Ninfas e a igreja que está em sua casa." Cl.4:15
"a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de armas, e à igreja que se reúne em tua casa." Fm.1:2

As reuniões nas casas aconteceram de forma natural, já que não havia mais a possibilidade de reunirem-se no templo de Jerusalém e naquela época ainda não havia cinemas falidos para serem arrendados e os irmãos nunca construiram ou tentaram construir edifícios para reuniões. Mas podemos ver que em algumas ocasiões os irmãos se reuniam em lugares diferentes das casas, como no caso de Paulo, quando foi expulso da sinagoga em Corinto:

"Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus. Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano." Atos 19:8-9

Paulo, na falta de templo, cinema e talvez uma casa que coubesse todos juntos, ensinava diariamente em uma escola! Isso nos mostra que não havia uma doutrina específica do local onde a Igreja deveria se reunir. Em épocas de perseguição pequenos grupos de irmãos chegaram a se reunir em catacumbas (túmulos).

Contudo, o fato de não haver nenhum ensino com relação ao local de reunião não autoriza a invenção de doutrinas sobre construção de templos. Muito menos ensinos, pregações, orações e etc. que afirmam, referindo-se a edifícios religiosos:
- Deus habita neste ou naquele local;
- Neste local Deus manifesta a sua graça;
- Essa é a casa de Deus;
- Precisamos contruir a igreja;
- Este local é a igreja.

Entre inúmeras outras citações que afirmam ter Deus alguma relação com um edifício feito por mãos de homens são comuns, porém infundadas. Deus não tem relação com construções! Pode ser linda, histórica, réplica do templo de Salomão, de aparência santa, mas na verdade não passa de tijolos sem valor algum para Deus. Devemos lembrar que: o único templo que teve valor para Deus, Jesus destruiu e reconstruiu em três dias! Ou seja, nós somos O ÚNICO templo de Deus, pessoas reconstruídas por Jesus. Se você ouvir algo diferente disso fique atento: é uma mentira! Portanto, a construção de edifícios não é problema, mas chamá-los de casa de Deus, templos santos, ou qualquer outro nome que denote uma manifestação especial de Deus é, já que trata-se de uma MENTIRA. Isso sim é contra a vontade de Deus.

Volto agora ao início do problema com a igreja nos lares: frustação e falta de perdão. Muitos estão sendo machucados nas instituições religiosas que, infelizmente, funcionam como uma grande empresa. É mais ou menos assim: enquanto você traz resultados é querido, deixou de trazer é descartado e não sobra nenhum amigo, aliás, na maior parte das vezes, sobram inimigos. Muitos, ao passarem por situações como essa, ou mesmo por tentarem mudar algo relevante em sua instituição, sem lograr sucesso, saem em busca de algo novo, algo "mais verdadeiro". Nada mais parecido com "a verdade" do que a igreja primitiva. Só o nome já diz tudo! Tem o cheiro de Jesus, tem todo um embasamento bíblico, é bonito, é moderno (vintage tá na moda né?). Só não podemos esquecer uma coisa:

A base da igreja não é o local onde acontecem as reuniões, mas o amor e o compromisso de um para com os outros!

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
João 13:35
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." João 13:35

Devemos ter em nossas mentes que para nos tornarmos parte da Igreja de Jesus não é necessário buscar o local correto, mas a motivação correta. Portanto se existe mágoa, frustação, inimizades, ciúmes, inveja, brigas; o local de reunião é o menor dos problemas. Neses casos faz-se necessário voltar para a base dos ensinos de Jesus, descritos em Matheus, capítulos de 5 a 7 e no final constuir uma casa em terreno sólido, na rocha, onde nem a pior das tormentas poderá derrubar. Se caiu o que você, com tanto afinco construiu, é porque não estava com a base onde deveria estar.

Com a motivação correta, cheio de desejo de ser UM em uma comunidade cristã, certamente você poderá se juntar com pessoas para serem juntos Igreja, e o prédio para reunião se tornará apenas um acessório, que pode ou não ser usado.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Deus é amor

A espiritualidade não se manifesta no retiro dos santos e na ruptura com os pecadores. A espiritualidade não se manifesta nas longas orações, nos dias de cultos, nos jejuns, nas vitórias contra os males, na seriedade do discipulado e no êxito em cumprir muitas ordenanças. Se assim fosse, Jesus, o próprio filho de Deus teria fracassado em sua vida espiritual. Ele nunca se retirou do meio do povo e preferia a companhia dos pecadores. Não era um homem de ritos religiosos, e seus ritos pessoais normalmente eram na madrugada, entre ele e o Pai somente. Não teve grande êxito contra o mal, contra a injustiça, morrendo vítima delas. Não foi exemplo no cumprimento das ordenanças religiosas de sua época e seus discípulos não eram as pessoas mais sábias e bem sucedidas de Jerusalém.

Tenho para mim que a espiritualidade se manifesta no amor não fingido. No amor sem interesse. No amor capaz de romper as barreiras religiosas, humanas, dogmáticas, ideológicas, sociais, raciais; no amor que nos faz iguais. Taí; a espiritualidade nos faz iguais! O homem espiritual não se sente menor por ser igual ao mais perverso pecador. O amor nos faz iguais. Jesus era um... igual... Dificilmente detectável entre seus amigos, entre o povo, era um entre muitos; mas socorria os pecadores, os amava, sentia-se parte. Não falo de assistência social, onde os que alçaram sucesso ajudam os pobres, mas no amor que faz “um” o assistente e o mendigo, o empresário e o bêbado, o líder religioso e o cafetão. O amor que faz com que todos saibam que são humanos, iguais, devedores uns dos outros e devedores de Deus.

Não acho que esse amor conserta o mundo. Se assim fosse ele teria sido consertado há dois mil anos atrás, quando se fez carne e habitou entre nós. O problema não está no amor, mas em que poucos o desejam de fato. A maioria chama de amor ser atendido em suas necessidades emocionais e “espirituais”; crêem que o amor é receber e não dar. Portanto, os que amam não mudarão o mundo, mas mudarão a si. Esse é o ápice da espiritualidade: alcançar algo para si por dar algo ao próximo. Talvez essa seja a única face de Deus que nos é disponibilizada. Certamente é a única forma de reconhecer aqueles que amam a Deus. Sem amor, não há Deus; mesmo que haja ritos religiosos, severidade nas doutrinas e vitória sobre os males; a face de Deus continua oculta. Sem esse amor o homem pode progredir pela fé, pode vencer pela fé, pode prosperar pela fé e viver pela fé. Mas tudo que fizer acabará nele. Somente o amor verdadeiro pode alcançar a Deus.

"Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor." João.