sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Igreja nos lares?

Existe um movimento crescente chamado igreja nos lares que vem tomando espaço na mídia, além de preocupar líderes de igrejas tradicionais baseadas em templos religiosos. Esse movimento tem como essência uma tentativa de retorno à prática da igreja do primeiro século onde, segundo afirmam, as reuniões aconteciam nas casas.

É possível perceber um aumento significativo no número de cristãos que se sentem incomodados com o rumo que a igreja institucional tem tomado. Esse incômodo se manifesta de diversas maneiras, desde a desistência da fé até a busca de um grupo "mais verdadeiro", parecido com a igreja primitiva; com infinitas possibilidades entre esses dois extremos. Talvez ai comece um dos problemas da chamada igreja nos lares: a frustação e a falta de perdão. Vou falar sobre isso um pouco mais adiante. Por ora falemos da igreja primitiva e de como ela se reunia:

E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46
"E perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..." Atos 2:46

Podemos perceber que no início da Igreja, os irmãos do primeiro século reuniam-se todos os dias no templo, além de dividir o pão em casa. Encontramos, além desse relato, vários outros que referenciam alguma reunião ou ida de irmãos ao templo para orar. É necessário entender que o templo referido nesse texto é o templo de Jerusalém, uma sinagoga judaica.Os primeiros irmãos eram judeus, sendo que os gentios só se juntaram a igreja a partir da conversão de Cornélio, capítulo 10 de Atos.

Após a chegada de gentios - não judeus - à Igreja, percebemos que as idas coletivas ao templo cessaram, acontecendo uma ou outra visita pessoal de discípulos judeus, para oração ou cumprimento de algum ritual judaico. Esse afastamento foi necessário, até porque os gentios eram proibidos de entrarem na maior parte das áreas do templo, e sua entrada em algumas áreas poderia ser punida com a morte. A Igreja, então, começa a se reunir nas casas dos irmãos:

"Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa." Rm.16:5
"Áquila e Prisca, com a comunidade que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações." ICo.16:19
"Saudai os irmãos de Laodicéia, como também a Ninfas e a igreja que está em sua casa." Cl.4:15
"a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de armas, e à igreja que se reúne em tua casa." Fm.1:2

As reuniões nas casas aconteceram de forma natural, já que não havia mais a possibilidade de reunirem-se no templo de Jerusalém e naquela época ainda não havia cinemas falidos para serem arrendados e os irmãos nunca construiram ou tentaram construir edifícios para reuniões. Mas podemos ver que em algumas ocasiões os irmãos se reuniam em lugares diferentes das casas, como no caso de Paulo, quando foi expulso da sinagoga em Corinto:

"Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus. Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano." Atos 19:8-9

Paulo, na falta de templo, cinema e talvez uma casa que coubesse todos juntos, ensinava diariamente em uma escola! Isso nos mostra que não havia uma doutrina específica do local onde a Igreja deveria se reunir. Em épocas de perseguição pequenos grupos de irmãos chegaram a se reunir em catacumbas (túmulos).

Contudo, o fato de não haver nenhum ensino com relação ao local de reunião não autoriza a invenção de doutrinas sobre construção de templos. Muito menos ensinos, pregações, orações e etc. que afirmam, referindo-se a edifícios religiosos:
- Deus habita neste ou naquele local;
- Neste local Deus manifesta a sua graça;
- Essa é a casa de Deus;
- Precisamos contruir a igreja;
- Este local é a igreja.

Entre inúmeras outras citações que afirmam ter Deus alguma relação com um edifício feito por mãos de homens são comuns, porém infundadas. Deus não tem relação com construções! Pode ser linda, histórica, réplica do templo de Salomão, de aparência santa, mas na verdade não passa de tijolos sem valor algum para Deus. Devemos lembrar que: o único templo que teve valor para Deus, Jesus destruiu e reconstruiu em três dias! Ou seja, nós somos O ÚNICO templo de Deus, pessoas reconstruídas por Jesus. Se você ouvir algo diferente disso fique atento: é uma mentira! Portanto, a construção de edifícios não é problema, mas chamá-los de casa de Deus, templos santos, ou qualquer outro nome que denote uma manifestação especial de Deus é, já que trata-se de uma MENTIRA. Isso sim é contra a vontade de Deus.

Volto agora ao início do problema com a igreja nos lares: frustação e falta de perdão. Muitos estão sendo machucados nas instituições religiosas que, infelizmente, funcionam como uma grande empresa. É mais ou menos assim: enquanto você traz resultados é querido, deixou de trazer é descartado e não sobra nenhum amigo, aliás, na maior parte das vezes, sobram inimigos. Muitos, ao passarem por situações como essa, ou mesmo por tentarem mudar algo relevante em sua instituição, sem lograr sucesso, saem em busca de algo novo, algo "mais verdadeiro". Nada mais parecido com "a verdade" do que a igreja primitiva. Só o nome já diz tudo! Tem o cheiro de Jesus, tem todo um embasamento bíblico, é bonito, é moderno (vintage tá na moda né?). Só não podemos esquecer uma coisa:

A base da igreja não é o local onde acontecem as reuniões, mas o amor e o compromisso de um para com os outros!

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
João 13:35
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." João 13:35

Devemos ter em nossas mentes que para nos tornarmos parte da Igreja de Jesus não é necessário buscar o local correto, mas a motivação correta. Portanto se existe mágoa, frustação, inimizades, ciúmes, inveja, brigas; o local de reunião é o menor dos problemas. Neses casos faz-se necessário voltar para a base dos ensinos de Jesus, descritos em Matheus, capítulos de 5 a 7 e no final constuir uma casa em terreno sólido, na rocha, onde nem a pior das tormentas poderá derrubar. Se caiu o que você, com tanto afinco construiu, é porque não estava com a base onde deveria estar.

Com a motivação correta, cheio de desejo de ser UM em uma comunidade cristã, certamente você poderá se juntar com pessoas para serem juntos Igreja, e o prédio para reunião se tornará apenas um acessório, que pode ou não ser usado.

4 comentários:

  1. Parabéns, Marcos. A tua sensibilidade parece bem ajustada com a Verdade, assim como tuas palavras a um bom homem. Que Deus
    espalhe a boa semente cada dia mais através de sua vida.

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  2. MUITO BONITO, SÓ QUE NA PRÁTICA NÃO FUNCIONA ASSIM, DENTRO DA IGREJA EXISTE UM AMOR FALSO PELO IRMÃO, AINDA MAIS SE ELE TÊM O MESMO DOM QUE O SEU!

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  3. A desonestidade intelectual entretecida neste texto é tão óbvia que chega a causar espanto. A Palavra de Deus não deixa qualquer dúvida que na Nova Aliança não existe esta coisa de "templos" ou "religião templária". Isto está tão pacificado na atitude do trabalho literal dos Apóstolos até antes da mistura dos líderes com o paganismo - que é absurdo que se pretenda defender uma coisa que é indefensável na Palavra de Deus.
    De onde se tirou esta teoria de que "templos edificados pelo homem" são qualquer coisa do tipo "aceitável diante de Deus"?
    Eis aqui meu desafio pessoal à esta teoria sem sustentação.
    Mas, evidentemente, que para um debate sério acerca da matéria, será preciso três requisitos primários:
    (1) seriedade na abordagem e não a defesa do esquema sectarista que alimenta uma pá de vigaristas da fé e, quando não muito, gente bem intencionada que vive às custas dos cofres da denominação registrada em cartório - Roma criou isto e o Protestantismo que sempre quis "reformar o irreformável" apropriou-se desta tese da "religião templária" criada pelo imbecil do "Santo" Agostinho de Hipona - que criou o livro igualmente imbecil denominado "Cidade de Deus";
    (2) vergonha diante das absurdidades que tem sido praticadas em nome de um sistema que está corrompido por dinheiro que é claramente "lavado" num enorme esquema do chamado "Terceiro Setor" que não paga impostos e que alimenta toda sorte de desvios morais e financeiros - como a imprensa demonstra de modo farto sempre que a pauta é trazida à baila; e,
    (3) Por fim, entender que Cristo não é nem moleque e nem está morto. O que estes apóstatas tem praticado há dois mil anos é uma religião edificada sobre um defunto, adulteraram Seu Nome, adulteraram Sua identidade nacional, adulteraram Seus ensinamentos simples, adulteraram a forma de liderança (por exemplo? em Atos 6:1-10 está claro que quem deve cuidar do dinheiro da Igreja são os diáconos e não os que militam no ministério da palavra e da oração - mas estes cães vorazes amam o dinheiro e o seu deus é o ventre, e em muitos casos são buchudos mesmo!).
    A maldição da assim chamada "Igreja Cristã" é esta coisa de Religião Templária - ela destruiu tudo! A verdadeira fé existe evidentemente em pessoas (Romanos 14:12 e 2ª Coríntios 13:5-6), mas sob hipótese alguma poderá estar nesta coisa chamada "denominação" onde há um registro de cartório e um esquema gerencial que pensa que a vida espiritual das pessoas é um negócio.
    Artigo mal elaborado!
    Espero que este protesto severo seja publicado e seja dada oportunidade de eu ser contradito e seja demonstrado que estou completamente errado!

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    1. Bom dia Jean,

      Não há nenhuma desonestidade intelectual em minha meditação, exposta no texto. Há sim a minha crença, honesta e transparente, apesar de não ser igual a sua.

      Com respeito ao desafio pessoal, agradeço o convite, mas irei declinar.

      De toda forma fique à vontade para ler outros textos e tecer seus comentários. Não há moderação é um espaço livre.

      Abraço.

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