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Noiva ou prostituta

Todos passamos por momentos de crise na fé. Alguns acham bonito ostentar uma aparência de super-espiritual, uma pessoa acima das lutas e dúvidas dos seres humanos comuns. Não oram como o fariseu que Jesus exemplificou orando de modo negativo (seria dar muito na cara), mas em pensamento e nas intenções fazem o mesmo diariamente. Se achar melhor está cada vez mais ligado a nossa sociedade competitiva, nos super-crentes já é uma união simbiótica.

Entretanto, lembrei-me hoje de uma pessoa espiritual. Ele chegou a um ponto da espiritualidade que perdeu a vergonha de ser apenas humano, frágil, cheio de sentimentos e emoções. Tenho a honra de tê-lo como um amigo de muitos anos; de termos compartilhado diversos momentos importantes de nossas vidas. Um dia, após uma grande decepção, ele me confidenciou algo mais ou menos assim: Amo Jesus, mas odeio a igreja. Ela é uma linda prostituta, louca para se vender para o primeiro com a carteira gorda que aparecer e desfrutar com ele de todos os prazeres que o dinheiro pode proporcionar.

Sabendo da luta que ele passara foi normal eu ter pensado que era "apenas" o resultado de sua decepção, afinal não foi fácil a luta que teve de enfrentar. Gostaria de dizer-lhe algo que lhe ajudasse, que funcionasse como uma tábua onde sua fé pudesse escorar até Deus trazer terra firme. O que eu lhe disse foi: meu irmão, você está olhando para a mulher errada, a igreja continua linda e imaculada, mas é tímida, quase não aparece. A mulher das multidões, que vemos a todo momento na mídia, nos eventos, é a prostituta, buscando seus amantes.

O tempo passou; três ou quatro anos desde esse dia. Posso dizer que meu amigo chegou à margem, são, salvo, de bem com a fé, com Deus e com a Igreja. Sua vida mudou profundamente após essa experiência e arrisco dizer que ele nunca mais vai ajudar uma prostituta na busca por amantes. Minha vida também mudou nesse mesmo intervalo de tempo, novos projetos, novos amigos, novos sonhos. Continuo jogando as tábuas e ajudando a cuidar da menininha que amo, até que se torne a moça tímida chamada Igreja. E ai, me ajuda a cuidar?

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Ora, Jesus, uma vez entre nós outra vez, certamente usaria da mesma sabedoria que usou quando andava pela Terra, nas ruas da Palestina, não aderindo a nenhum dos postulados dessas denominações, das propostas das grandes corporações da fé e dos super conglomerados da religião, das igrejas-empresa que superestimam números, estatísticas e resultados de crescimento numérico, não se encaixando em nenhuma bitola teológica sistemática ou dogmática, não se deixando caber em nenhuma fôrma doutrinária…