Igreja nos lares?

Existe um movimento crescente de pessoas que deixam as congregações tradicionais para reunirem em suas casas; em grupos organizados ou não. Muitos defendem que, assim como a igreja do primeiro século se reunia em casas, o local correto da reunião da igreja é, obrigatoriamente, a casa dos irmãos. Afinal, o local onde se reune define a Igreja? Leia mais...

Igreja, o Corpo de Cristo

A estrutura das igrejas locais relatadas no Novo Testamento se assemelha muito mais a uma família do que uma organização religiosa. As reuniões eram...

Jesus e a teologia da prosperidade

Somos filhos do Rei, logo devemos ser prósperos? Quem não é está em pecado? O que diria Jesus sobre a teologia da prosperidade?

Jesus na célula

Foi um encontro inusitado. Jesus estava passeando pelas ruas de Brasília, passou pela rodoviária do Plano, aquela multidão, ninguém o reconheceu. Viu um jovem a passos largos, bíblia embaixo do braço, se aproximou:...

Deus e o diabo

Não existe, nunca existiu e nem existirá uma luta épica entre Deus e o diabo. Satanáz sempre soube...

terça-feira, 3 de novembro de 2015

No estacionamento

O dia estava quente e seco, o que é comum no inverno de Brasília. Cheguei ao estacionamento no horário de almoço, como era meu costume na época. O terno azul escuro incomodava absorvendo o calor do sol brasiliense. Deixei o paletó no banco de trás, soltei o nó da gravata e desabotoei o colarinho. Antes que eu acabasse Wagner veio acenando, com um sorriso fraco no rosto queimado e maltratado pelos anos sob o sol e as drogas.

- E aí brother? – Percebi algo estranho, pois ele não chegou animado e brincalhão como sempre.
- Opa. - Respondi fechando a porta do carro.

O estacionamento, em um shopping tradicional, ainda não era pavimentado nesses dias. No tempo de seca a terra vermelha levantava nuvens de poeira, nas chuvas o barro desencorajava os clientes, preocupados em não sujar seus sapatos. Nesse dia, além de todos que frequentavam nossa reunião, havia mais alguns, que eu não conhecia, embaixo da grande árvore, nossa congregação ao ar livre. Cheguei, cumprimentei um a um e me sentei na mureta, em cima de um papel que Bodinho me deu para não sujar a calça. No chão, duas garrafas de 51 vazias, uma cheia e outra com pouco mais da metade.

Sempre que estou com o pessoal percebo os olhares curiosos dos que passam, entrando ou saindo do shopping. Em meio a moradores de rua, vigias de carros, um homem de terno conversando à vontade, parte integrante do grupo. O curioso, nesse dia, era que o pessoal estava mais quieto e mais bêbado do que o costume. Antes que eu perguntasse algo, Wagner soltou, em uma voz sem emoção, a notícia que os abatera.

- Ronaldo morreu. - Olhei para seu rosto tentando entender se era uma de suas brincadeiras. Não era. Ronaldo morava em um barraco no Pedregal, junto com seus dois filhos. Os meninos, de cinco e oito anos fugiram da mãe devido as grandes torturas físicas e emocionais que ela lhes infringia. Ela não fez questão de pegá-los de volta e ficaram morando com o pai. Fazia pouco mais de três meses que Ronaldo decidira seguir a Jesus e as coisas não estavam fáceis, já que ele havia parado com o tráfico de merla, vivendo então do dinheiro da guarda e lavagem dos carros. Era bom ver a mudança de comportamento, sua fé em meio às lutas e seu desejo de dar um futuro diferente aos filhos.

- O que aconteceu? - Perguntei tentando imaginar a tragédia.
- Cara, tudo por causa de uma pinga. Faz um tempão que Ronaldo foi a um boteco lá no Pedregal, comprou uma garrafa de cachaça, sentou e botou para a galera beber. Naquele dia o Baixinho chegou, pegou um copo e foi pegando da cachaça. Ronaldo levantou na hora e mandou colocar a cachaça de volta na mesa. O Baixinho ficou bravo com a regulagem da pinga, falou, argumentou, mas Ronaldo não deixou ele tomar.

No sábado passado Baixinho estava no bar e pagou cachaça para todo mundo. Ronaldo chegou para comprar um refri que ia levar para casa. Baixinho deu um copo cheio para ele e disse: toma, bebe ai para você ver que não sou regulado como você. Ronaldo falou que não estava mais bebendo pinga e foi ao balcão pedir o refri. Baixinho saiu do bar, voltou com um caibro de madeira nas mãos e acertou a cabeça do Ronaldo em cheio. Com ele no chão ainda deu mais duas porretadas. Ele nem conseguiu se virar... morreu lá, no chão do bar.

- E o Baixinho? - Perguntei atônito, sem digerir a história.
- Está foragido.
- E os meninos?
- Fugiram do barraco com medo da mãe vir pegá-los.

Fiquei em silêncio. Imaginei Ronaldo estirado no chão e me perguntei o que seria dos dois meninos. O silêncio foi interrompido por Wagner.
- Pastor, eu queria sentir o amor de Jesus, sentir que Ele se importa comigo de verdade. Me diz uma coisa: Jesus ama menos a gente do que vocês?

Segurei o choro por alguns segundos. Tinha quatro ou cinco pessoas prestando atenção em nossa conversa, enquanto outros continuavam bebendo distraídos. Chamei a todos e disse algo sobre não haver “a gente” e “vocês”, sobre sermos todos iguais diante de Deus, sobre seu amor, que não faz acepção de pessoas. Li um texto bíblico, oramos juntos, conversamos e chegou o fim de meu horário de almoço.

No caminho do trabalho fiquei com a sensação de ter comido algo estragado. Aquilo que cansei de ver nos noticiários da TV, com o sabor “sem sal” de acontecimentos que assolam desconhecidos e a ridícula entonação de voz dos narradores de tragédias, ganhou novo gosto nesse dia. E nos meses que se passaram aprendi que essa comida amarga faz parte do cotidiano de muitas pessoas.

Após poucas semanas, ninguém mais se lembrava de Ronaldo, Baixinho, ou de dois meninos desaparecidos. Mas a pergunta ainda ecoou algum tempo em minha mente: “Jesus ama menos a gente do que vocês?”.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Agradeça a Deus por estar viva

Antes de ontem uma jovem foi estuprada na Avenida Arapogi, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio, à caminho da escola. Infelizmente, esse é um fato cada vez mais corriqueiro e, desde que não tenha ocorrido com um conhecido ou familiar, o fato parace "normal" para uma grande metrópole como o Rio.

Mas, o que é normal em uma grande metrópole? É normal termos medo ao andar a noite na rua e percebermos que iremos cruzar com outra pessoa na calçada (afinal ele pode ser um bandido)? É normal colocarmos alarmes em nossas casas, cercas elétricas e sistemas se segurança integrados interligados com uma central? É normal andarmos com 2 carteiras no bolso, uma nossa e outra para o bandido?Acho que muitos de nós acham isso normal, já que faz parte de seu cotidiano há anos.

Fato é que as relações humanas no Brasil tem se degradado nas últimas décadas. Estamos vivendo tempo de completa insegurança e aumento da criminalidade... Por que? Será que dominuir a maioridade penal resolve? Será que pena de morte resolve? Será que a educação resolve?

Acredito que qualquer mudança verdadeira inicia dentro de cada um e é repassada de geração para geração. Uma mudança cultural, que permita aos menos favorecidos as oportunidades de trabalho e vida social mínimas. Que permita que as famílias tenham condições de ensinar coisas básicas do caráter aos seus filhos. Quer favoreça a visão que a pobreza não é normal, o crime não é normal, a violência não é normal.

É normal uma mãe relatar que as palavras de consolo para sua filha, após um estupro foram: "Falei para ela ficar calma e agradecer a Deus pelo fato de eles a terem deixado viva."?

Na época de Jesus, para os judeus, era normal se apedrejar mulheres flagradas em adultério. Uma multidão apresentou uma mulher adúltera diante de Jesus, arguindo se eles deveriam apedrejá-la, já que fazia parte da lei. Jesus não apenas impediu a atrocidade, como também conseguiu gerar uma nova consciência na multidão. Certamente aqueles que queriam ver o sangue, sairam mudados, pois foram tocados em seu interior (leia a história em João 8:1-9).

É preciso não acharmos normal, aquilo que não é normal, apesar de ser corriqueiro!




quinta-feira, 10 de setembro de 2015

À Procura da Felicidade


Nesse emocionante filme, estrelado por Will Smith, acompanhamos a história real de Chris Gardner que, em meio a diversas adversidades, tenta manter um mínimo de dignidade para si e seu filho. Na saga, Chris, investe suas economias em tomógrafos, que tenta vender diretamente aos médicos, não obtendo sucesso. A dificuldade financeira leva sua esposa a abandoná-lo, deixando-o com o filho em um uma situação tão ruim, que chegam a dormir em um banheiro de estação de metrô. Seguramente ao final tudo dá certo. Hollywood não faria um filme que não terminasse com um exemplo de superação e vitória.

Acontece que, apesar de toda emoção do filme, nem sempre as adversidades terminam em vitória. Olhando ao nosso redor, constatamos que poucos alcançam uma vida cheia de realizações, digna da telona. As pessoas dormem e acordam, trabalham diariamente, muitas vezes em atividades que não gostam, tem problemas com o cônjuge que não conseguem resolver e andam com o coração na mão por conta dos filhos. Isso se levarmos em consideração as pessoas afortunadas. Uma multidão de desventurados madruga à procura de emprego, pena para alimentar a família, perdeu os filhos para o crime ou as drogas, anda à margem de uma vida, no mínimo, desagradavelmente normal.

O filme deixa a entender que o herói encontra a felicidade ao alcançar um bom emprego em uma corretora de valores. Isto posto, duas reflexões sobre a felicidade nos vem à mente. A primeira é que a felicidade é a medalha que ganhamos após o sucesso em uma árdua batalha. Diante disso, para sermos feliz é necessário vencermos todas as batalhas... um feito para poucos. A segunda, e mais intrigante, é pensarmos que o triunfo em alguma área da vida, dá total significado para toda nossa existência. Será que não existem ricos em depressão? Ou famílias bem sucedidas destruídas pela cobiça, drogas, indiferença, desamor? Ou servidores públicos, com estabilidade e bons rendimentos, que se sentem perdidos em uma vida sem significado?

Um pequeno homem, chamado Mahatma Gandhi, teve também uma saga hollywoodiana. Entretanto, indo ao contrário do caminho modelo de felicidade, após sair da Índia e se formar em direito na Inglaterra, Gandhi dedica sua vida aos direitos dos hindus e a libertação da Índia. Uma vida de imensas privações, algumas prisões, longos jejuns, brutalmente finalizada com seu assassinato, no jardim de sua casa, protagonizado por um hindu, povo ao qual dedicou sua vida. Esse homem, desafortunado aos olhos de muitos, disse algo a respeito da felicidade:

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”

É incrível como doze palavras podem trazer uma consciência tão completa a respeito de um tema tão complexo. A felicidade não é a medalha, mas a corrida; não é o troféu, mas o campeonato; não é o salário, mas o trabalho; não é a riqueza, mas o empreendimento; não é completar bodas de ouro, mas os 50 anos juntos da pessoa amada! A felicidade é aquilo que fazemos utilizando toda nossa alma, toda nossa vocação, todo nosso esforço, todo nosso talento! Talvez você não tenha a vocação de Gandhi; eu certamente não a tenho. Mas ele tinha, e foi feliz vivendo a vida de acordo com seus valores! Mesmo recebendo como medalha o tiro que causou sua morte.

Antes de Gandhi, Jesus deu esse exemplo de vida com propósito. Ele veio para o meio de seu povo, os Judeus, e esse povo provocou seu julgamento. Ele dedicou sua vida a fazer o bem a todos, e todos pediram para que Barrabás fosse solto em seu lugar. Morreu solitário na cruz, com apenas um de seus discípulos presente. Todavia sua vida até hoje influencia milhões de pessoas.

Onde, então, procurar a felicidade? Ela se encontra dentro de você! Em sua dedicação a vida, ao seu propósito único, a realização de sua vocação, ao tempo dedicado as pessoas amadas. E, se ao final você ganhar uma medalha, ela será apenas a cereja de um delicioso bolo, desfrutado durante seus dias na terra. Seja feliz!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Tudo quanto pedir Deus fará?


sobre-os-pes-de-meu-pai

Não é raro termos dúvidas acerca de orações não respondidas pelo nosso Pai Celestial. Principalmente quando nos deparamos com situações quejulgamos incompatíveis com nossa posição como filhos de Deus. Uma doença que alcança um ente querido, uma catástrofe que assola o que construímos com afinco, lutas inexplicáveis que nos colocam em situações de fragilidade e medo.
Ao buscarmos nosso Pai nessas ocasiões gostaríamos de ter certeza de que Ele está nos ouvindo e nos irá atender. Procuramos, então, refúgio em promessas que encontramos na Bíblia, na certeza de que, com elas, teremos vitórias. Um dos ensinos de Jesus comumente utilizados é aquele, em que Ele ensina os apóstolos, durante sua última ceia, dizendo:
“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” Jo. 14:13
De posse dessa declaração, do próprio Cristo, podemos nos sentir tristes e confusos quando insistimos em oração, dizendo claramente que oramos em nome de Jesus, e não somos atendidos. Afinal, o que Jesus falou é claro: tudo quando pedir em meu nome eu o farei!
O que precisamos meditar é sobre nosso papel quando estamos pedindo algo em nome dele, de nosso Senhor e mestre. Ao pedirmos algo em nome de outrem estamos representando aquela pessoa, ou seja, pedindo exatamente aquilo que aquela pessoa pediria. Não adianta apenas inserirmos ao final de um pedido “em nome de fulano”, que automaticamente aquele pedido está de acordo com a vontade de fulano.
Portanto, pedir em nome de Jesus é representar a Jesus em um pedido, tendo a plena convicção de que aquela é a vontade dele. Se estivermos totalmente alinhados com Jesus, nosso pedido encontrará eco no coração dele, e o Pai nos atenderá de pronto. Caso contrário, nosso pedido não será em nome dele, mesmo inserindo seu nome na petição.
Mas, e quando não soubermos a vontade dele? Não podemos orar? Certamente que podemos! Podemos e devemos, mas será uma oração de suplica, que certamente será ouvida, mas nem sempre atendida. Lembram-se da insistente petição de Jesus ao Pai?
“E [Jesus] disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” Mc 14:36
Jesus sabia que todas as coisas eram possíveis ao Pai. Até mesmo livrá-lo do momento que se aproximava: sua morte na cruz. E clamou... clamou por 3 vezes. Ao final, não tendo sua súplica atendida, corajosamente cumpriu a vontade de Deus.
Que possamos representar Jesus ao pedirmos em seu nome e sermos corajosos para atender diligentemente a vontade do Pai, mesmo que não seja a nossa.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Vocacionados ao amor


A vocação da Igreja é o amor que se traduz em serviço ao próximo. O amor em Deus é um movimento que restaura e toca em vidas!



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Em defesa de Jesus


Após a passeata LGBT apareceram muitos defensores de Jesus, o que inclusive popularizou o termo cristofobia.

Essa necessidade de defender Jesus não é nova. Quando ele ainda vivia houve uma situação extrema, onde um de seus mais fiéis seguidores o defendeu com fervor. Vocês lembram?

Foi assim: Jesus foi traído pelo seu amigo Judas, que entregou seu paradeiro em troca de algumas moedas de prata. O sumo sacerdote, alguns de seus servos e uma multidão, todos religiosos, porém verdadeiros cristofóbicos, foram atrás de Jesus. Quando chegaram Pedro não teve dúvidas, partiu em defesa de Jesus e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote! Um exemplo de homem que defendeu a Jesus em detrimento de sua própria segurança!

Jesus, em resposta a essa atitude tão nobre de Pedro, o repreendeu, mandando-o guardar a espada. Como se ainda não bastasse ele curou a orelha ferida do cristofóbico dizendo:

Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Mateus 26:52,53

Que lição podemos tirar disso? Simples, JESUS NÃO PRECISA DE DEFENSORES. Ele não é um homem indefeso, acho que doze legiões de anjos poderiam fazer um belo estrago! Ele é um homem que, podendo quebrar a banca, decidiu não fazê-lo. Caso ele desejasse acabaria com esse mundo de uma vez, ou mesmo com todos os Cristofóbicos, pecadores, LGBTs, adúlteros, corruptos, ladrões (será que sobraria alguém vivo?), políti%$%,ops...

É claro que ele NÃO QUER ACABAR COM OS CRISTOFÓBICOS, assim com é claro que ele QUER CURAR AS FERIDAS, inclusive as geradas no embate com seus defensores.

Então, se você é um defensor de Jesus, saiba que Ele não precisa de defensores. Agora, curadores de feridas, isso sim, ele disse que necessitaria... pessoas como ele, que entendem que o maior é aquele que serve. Inclusive, depois dessa gafe de Pedro, Jesus o chamou para cuidar das suas ovelhas... deixar de lado o ódio aos cristofóbicos e servir.

Você ama a Jesus? Não o defenda, tenha o mesmo sentimento que ele, sirva!

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” Filipenses 2:5-7

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Amigos

Há alguns anos ouvi uma mensagem que eu poderia resumir como: a Igreja já está cheia de irmãos, o que ela precisa é estar cheia de amigos. Por mais estranho que pareça, essa mensagem era dedicada a um grupo cristão que se reunia nas casas e tinha como orgulho a união alcançada por meio de uma prática cristã simples, que não se importava com ritos e sim com pessoas. Não sei quantos naquele dia foram alcançados pela mensagem. Talvez a maioria nutrisse uma certeza interior que aquilo já estava resolvido no meio do grupo, tão unido.

A amizade pode nascer de várias formas. Quando criança, brincamos com nossos vizinhos e fazemos amigos facilmente. Alguns desses entram conosco na adolescência, mais tarde, interesses em comum nos levam a estabelecer novas amizades. É comum na juventude acreditarmos que os amigos irão nos acompanhar por toda a vida (bom que algumas vezes é verdade!). Há as amizades que iniciam na escola, no trabalho e, também, dentro de um contexto religioso. É natural que alguns amigos se afastem, existem várias razões para isso. Mudança de endereço, de escola, escolha de caminhos diferentes, brigas, amores. Enfim, existem diversos motivos as relações se afastarem.

Dentro do contexto religioso cristão surge um tipo de amizade diferente. É fato que nas últimas 2 décadas o cristianismo mudou bastante. Temos um número crescente de instituições religiosas que focam apenas em eventos para distribuição de palavras de bênçãos e prosperidade, promovendo um rodízio de pessoas que mal tem tempo de se conhecerem, mas são necessárias para manter financeiramente a “igreja” com seus dízimos e ofertas. Entretanto, ainda temos grupos que promovem a “comunhão”, um tipo de amizade cristã, por meio de grupos pequenos, almoços, retiros ou apenas fomentando aquela conversa gostosa de fim de culto. Ainda temos os grupos não institucionais, que são mantidos quase que exclusivamente pela união dos participantes, que normalmente se reúnem nas casas, grupos que, apesar de existirem há muitos anos, agora entraram na moda e receberam o nome de igrejas orgânicas.

Mas, o que há de diferente nessa amizade que surge no meio cristão? Basicamente é a natureza da união das pessoas, já que a congregação é a junção de pessoas que buscam andar seguindo conceitos pré-estabelecidos. Portanto, há um propósito maior nessa união. O relato que está no início do livro de Atos dos Apóstolos é sempre lembrado como exemplo de um grupo perfeito e coeso.

O ser humano é sociável, mas diversificado, e dentro de uma congregação é natural surgirem subgrupos que se unem de acordo com afinidades de ideias (formas de crer) e desejos (forma de fazer). E assim, o grupo caminha e o bom líder, se guiado pelo Espírito, mantém a diversidade sadia e promove a integração entre diferentes subgrupos. Essa comunhão que surge dentro da igreja pode durar toda uma vida, fortalecer indivíduos em momentos de luta e criar vínculos duradouros. É realmente uma irmandade que surge, como uma nova família.

Mas, o que tem isso a ver com a mensagem, que citei no início? Qual a diferença entre irmão e amigo? Bom, a irmandade surge de imediato quando nos filiamos ao grupo e confessamos a mesma fé. A amizade surge com o tempo, quando trocamos partes sensíveis de nossa vida com outrem, em uma via de mão dupla.

Observando o relacionamento de Jesus com seus discípulos podemos perceber que o início foi um relacionamento “religioso”. Jesus era um mestre, fazia milagres e tinha uma promessa de um Reino diferente, o Reino de Deus. Os discípulos, já em um contexto de crença, se uniram ao mestre, alguns inclusive abandonando ao mestre anterior, João Batista. Entretanto, Jesus perto de sua morte declara algo: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”. Chegou um momento eu Ele já não considerava aqueles 12 homens apenas como seguidores de uma causa em comum, mas os considerava amigos, pois conheciam tudo que era importante para ele. Mas como aqueles 12 homens viam Jesus. Certamente que como um líder, alguém com um ideal de libertação que eles esperavam por gerações e que poderia torná-los pessoas importantes.

Jesus foi levado à prisão só. Os discípulos, que já vinham falhando anteriormente em pedidos simples, como ficar em vigília em seu sofrimento, fugiram amedrontados. Aquele que o seguiu fez de tudo para não ser identificado como amigo. O fato é que a irmandade costuma falhar no momento em que não respondemos de acordo com o esperado na defesa da causa que nos une. Os discípulos sabiam que Jesus poderia ter escapado como fizera em outras ocasiões. Ou vencido, obrigando a submissão de todos e restaurado o reino de Israel. Mas não. Permitiu ser capturado, colocando fim ao sonho de seus seguidores, que voltaram aos antigos afazeres.

A irmandade é importante. Ela nos une em prol das Boas Novas. Mas a amizade é essencial. Ela nos une como pessoas. Somente a amizade é a prova de dúvidas com respeito à fé, erros doutrinários, filosofias tortas que passam por nós, doenças, cansaço dos ritos religiosos, mudança de fase na vida, excesso de atividades, mau humor, esquisitices, etc e etc. A irmandade abandona os que não são úteis a causa... a amizade está sempre ao lado.

Que a igreja entenda que o Evangelho não restaura apenas o relacionamento do ser humano com Deus, mas também do ser humano com seu semelhante. Somente assim nos tornaremos mais humanos e, como consequência, semelhentes ao Cristo.

Faça amigos!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Não julgueis!

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” Mateus 7:1-2

Não é incomum recebermos esse texto como resposta a alguma crítica que fazemos com respeito ao meio evangélico e, principalmente, aos seus líderes. Bom, já vou começar chutando o pau da barraca: se foi necessário citar esse texto como defesa a alguma coisa dita, ou feita por alguém, é porque o que foi dito ou feito foi uma bobagem sem tamanho! Ninguém reclama quando se “julga” alguma coisa positivamente. Dizer: “Nossa, que palavra abençoada do pastor super ungido” nunca é rebatida com o não julgueis. Entretanto, dizer: “Caracas, quanta bobagem o pastor falou hoje hein?” já é rebatido com Matheus 7 ou pior, 1 Samuel 24:6, para não tocar no ungido do Senhor. Sobre esse último, que é um absurdo, falarei em uma outra postagem.

Então, se foi necessário citar Matheus 7 para cessar o “julgamento”, já é um bom sinal que se fez m...!

Entretanto, vamos entender melhor o que Jesus quer dizer em Matheus 7. Vejamos um exemplo: um sujeito pega, sem autorização, o CD Player de um carro. Eu, como cidadão comum, comparo essa ação com a lei e digo que ele furtou. Então vou e o denuncio. Ele será levado a julgamento e mediante apresentação de provas, com direito à defesa, será condenado ou absolvido por um juiz. Eu o julguei? Não, quem o julgou foi o juiz, pessoa qualificada para tal ação, após ouvir os fatos e considerar a acusação e a defesa. Eu simplesmente denunciei sua obra má, evidenciada por um padrão. Inclusive o juiz poderia absolvê-lo, caso encontrasse razão para tal.

Como pessoas responsáveis, podemos, aliás, devemos, denunciar más ações. Quando falamos com respeito ao Reino de Deus essa responsabilidade é ainda maior. Temos a obrigação de comparar toda palavra e obra com o modelo de vida, que é Jesus. Caso entendamos que não é coerente, temos a obrigação de colocar essa incoerência à luz, para que outros possam vê-la.

Contudo, essa responsabilidade não me dá direito de julgar ou emitir qualquer condenação, afinal, só existe um justo Juiz. Emitir juízo é, por exemplo: fulano certamente vai queimar no fogo inferno, beltrano não é crente, ciclano não é discípulo de Jesus, etc. Não posso julgá-lo e devo lembrar que fulano e beltrano tem um advogado de defesa, Jesus, que costuma ir até últimas instâncias na defesa de seus clientes (morrer por eles, por exemplo). Então, quando eu julgo e condeno, ignoro a graça restauradora, que passa também a não me alcançar (recebo a mesma medida de juízo que emiti). Afinal, posso não ter feito o que fulano e beltrano fez, mas certamente fiz algo parecido, maior ou menor.

Se assim não fosse não poderíamos falar nada sobre a picaretagem de alguns líderes, enganando ovelhas para enriquecer, ou mostrar a incoerência da venda de bênçãos, aliás, os reformadores, que colocaram à luz a insensatez da venda de indulgências e outras barbaridades feitas pela Igreja católica estariam lascados. Para não falar de Jesus, que chamou os fariseus de raça de víboras e sepulcros caiados...

Concluindo, não tenham medo de medir o que pessoas falam ou fazem utilizando como parâmetro as palavras de Jesus e dos apóstolos. Não caia em artimanhas para gerar culpa ou calar a boca, no intuito de preservar a imagem de alguém querido. Isso não é amor, nem cuidado. Contudo, deixe o juízo para o Juiz (Ele saberá o que fazer e ouvirá o advogado de defesa). Lembre-se, você também tem o rabo preso e, no futuro, pode estar falando ou fazendo alguma bobagem também! Precisará da graça restauradora, tanto quanto o irmão do cisco.

Sugiro inclusive que você desenvolva esses hábitos como obrigação, caso tenha abraçado a fé. Jesus fez assim, você também deve fazer.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Igreja é assim (!?)

A Igreja é assim.

Ela não respeita instituições, estatutos, paredes, reuniões, padrões, placas, nem nada que o ser humanos possa construir ou instituir. A Igreja simplesmente se manifesta em sua própria existência, alheia ao governo humano e debaixo do governo de Deus. E quando assim o faz a reconhecemos, não pelo fato dela reinvindicar sua posição, mas sim pela sua natureza, caráter e frutos. Então, ao notar essa expressão de vida, podemos nos entregar a sinceridade e concluir, em nosso íntimo, o quanto fazemos ou não parte dela. O quanto estamos misturados nessa vida que atropela, que anda, que empurra, que nos leva a lugares algumas vezes agradáveis e outras, sombrios. Podemos nos fazer a seguinte pergunta: queremos nos engajar nessa coletividade de histórias, alegrias, tristezas, aspirações, acertos, erros, pecados, virtudes, trabalho, lazer e humanidade (sendo que podemos fugir dela), assim como Jesus fez ao deixar os céus, ou preferimos seguir os caminhos, já aclamados, que podem nos levar a uma intensa realização pessoal?

Para mim Igreja é assim.

E digo que estou tão estragado nessa convicção que já não consigo me contentar com nada que me proporcione artificialmente essa vida. Alguns momentos de comunhão ao fim de bonitas palavras aninadoras centradas na Bíblia. Belas canções exaustivamente ensaiadas e pensadas para proporcionar o melhor para Deus e me levar, junto com os demais, a uma atmosfera de enlevo espiritual. Pessoas simpáticas que abraçam, beijam, confessam seu amor mutuamente (em Cristo), se envolvem (e me envolvem) em lindos projetos para que outras pessoas, também simpáticas se juntem a nós. Tudo, tudo isso são coisas maravilhosas, mas atinguem apenas a superfície de meu desejo de comunidade, de pertencimento. Repito pela primeira vez: estou estragado.

Eu tento viver a Igreja assim.

Já fiz tanto esforço para viver isso que entrei por caminhos certos, com a motivação errada. E acreditei que havia encontrado a única resposta, não no conselho do Espírito, mas de pessoas, boas pessoas, mas, ainda pessoas. Ao verificar o desvio, consertei a motivação, mas errei o caminho. E acreditei na sinceridade de quem tinha apenas interesses, abri minha casa para quem não merecia nem um aperto de mão. Ao tentar alinhar caminho e motivação pude, por fim, concluir que mesmo com tudo certo, a Igreja ainda continua sendo livre, e escapa incessantemente de minhas mãos. Sou totalmente incapaz de controlá-la, de fazê-la crescer e, até mesmo, de escolher quem fará parte de minha vida. Repito pela segunda vez: estou estragado.

E foi assim.

Quando chegou a tempestade e deu com força contra a casa que eu havia contruído, fechei bem as portas e as janelas, coloquei panos para tapar as frestas, passei a chave e o ferrolho em todas as entradas e, do lado de dentro, não totalmente sem temor, verifiquei a casa firme, sólida, resistindo bem as pancadas da forte tormenta. Protegido e feliz pela solidez da construção, senti-me só, trancado e com medo de sair e me deparar com os ventos fortes e a chuva impetuosa. Mas, sem perceber como, vi-me cercado de pessoas, elas não batiam à porta, mas entravam, elas não pediam licença, mas passavam pelas portas e quando entravam traziam consigo um pouco de sol, de calor, de luz... um pouco de vida. E foi assim que percebi ela, a Igreja, manifestando sua vida, livre, sem medo de incomodar e, com simplicidade, mostrando a face de Cristo. Pela terceira e última vez: estou estragado, pois meu maior desejo é achar uma forma de institucionalizar essa vida.

sábado, 2 de novembro de 2013

Amar o próximo

Você ama o próximo?

Esse é um assunto mais do que batido. Todo mundo fala, todo mundo sabe, já foram feitas várias pregações e palestras sobre o tema, mas quase ninguém consegue praticar. Talvez, um dos maiores motivos seja o desconhecimento do significado de “amor” para Deus. Amor, uma palavra tão usada, de formas tão distintas, com significados tão diversos, que é possível que o que Jesus quis comunicar ao dizer “ame o próximo”, não tenha hoje o mesmo sentido que ele desejou que tivesse. Além disso, nossa sociedade é tão egoísta, que o mais comum é vermos pessoas usarem esse mandamento como forma de proteção para seu ego e estilo de vida. Não é comum o seguinte uso: “Ué, Jesus não mandou amar o próximo? Você tem que me amar como eu sou!” ou: “Como você pode ficar indignado assim? Jesus não mandou você amar o próximo?”. Esse tipo de argumento está longe de retratar o que Jesus disse. Primeiro porque amar não tem nada a ver com aceitar tudo (inclusive em muitas situações é justamente o contrário), não ter opinião sobre nada ou ficar calado para não causar mal estar ao próximo (o próprio Jesus que o diga). Segundo, Jesus mandou cada um amar seu próximo e não cobrar que os outros o façam em benefício próprio. O amor é uma doação e não uma reivindicação!

Para entender um pouco sobre o amor que Jesus falou, temos que tentar enxergar algum exemplo prático da parte de Deus ou de Jesus. João, em seu evangelho disse: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho”. Temos duas palavras chave: “amou” e “deu”. Essas duas palavras nos dão uma dica sobre o significado desse amor, que não é teórico ou sentimental, mas prático. Porque amou o mundo, Deus deu algo. E não deu qualquer coisinha, um presentinho comprado no shopping ou mesmo em uma concessionária de veículos 0 km. Deus aquilo que ele tinha de melhor, de mais valioso, que lhe era insubstituível por mais poder que o próprio Deus tivesse... Jesus era insubstituível! Deus correu todo o risco. Entretanto, se o exemplo de Deus fica muito distante; afinal ele era Deus, temos o exemplo de Jesus, Deus encarnado, que como disse João mais tarde: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós...”. Veja bem: conhecemos o amor nisso, que ele deu! Novamente ele deu algo que não tem preço. Não pode ser reavido, não da mesma forma como foi entregue. Ele deu a própria vida! Esse é o amor de que Jesus fala. Não um sentimento, capaz de fazer bater mais forte nosso coração, suar nossas mãos ou nos levar às alturas. Mas uma decisão difícil, dura, que é capaz de nos levar à sepultura.

Você ama? O próximo?

Vamos agora para a segunda etapa dessa pequena ordem de Jesus: o próximo! Havia um homem muito bondoso, justo e fiel. Ele era dedicado à luta pelos fracos, as minorias. Ajudava em diversas iniciativas, sempre presente em manifestações populares, dedicado a ensinar a igualdade e fraternidade entre os homens. Esse homem, em uma viagem para conhecer comunidades carentes na África, se deparou com um jovem que fora assaltado e espancado. Tentou buscar ajuda com outras pessoas, mas ninguém se importava com o desconhecido. Não havia hospital público em que pudesse levá-lo e o aconselharam a chamar as autoridades e deixa-lo só. Ele desconfiava que se deixasse, o desconhecido morreria, pois sabia como era carente aquela região. Ele estava de posse de uma considerável quantia em dinheiro que iria usar para ajudar uma comunidade carente daquela cidade a ter o mínimo de condições de higiene e saúde. Pensou que poderia usar o dinheiro para buscar ajuda e interná-lo em um hospital particular, mas vacilou, pois ao salvá-lo poderia deixar de beneficiar muitos outros. Salvar o homem seria uma tarefa solitária, que não teria grande impacto social e certamente não mudaria o mundo. O que fazer?

Sem medo de errar, Jesus salvaria o desconhecido. Como posso afirmar isso? Pelo simples fato de que foi isso que ele fez! Jesus, com toda sua força, poder e liderança poderia ter feito coisas extraordinárias pela humanidade durante os poucos anos que passou no mundo. Pensem bem, as mulheres eram tratadas como lixo, a escravidão era normal, era comum o sacrifício humano em cultos, um governante tinha o direito de mandar matar todos os bebês de sua cidade, sem que nada lhe acontecesse. Jesus tinha condições de mudar tudo isso. De lutar pelos fracos, de ajudar os necessitados, de libertar os cativos e mudar os rumos daquela sociedade. Mas não o fez! O que Jesus fez foi mudar a história de indivíduos. Ele acudiu quando o fraco, o necessitado e o cativo tornaram-se um “próximo”. Ele o fez quando teve condição de olhar nos olhos deles, amá-los e mudar a história de cada um. Ele não libertou o cativo como parte de um grupo, de uma minoria; não restabeleceu a justiça social. Ele libertou a adúltera que seria apedrejada em sua frente, o cego que o interpelou pelo caminho, a mulher à margem da sociedade por causa de um fluxo de sangue que tocou em suas vestes, o cego que gritou em seu socorro... Ele não lutou pelas minorias, ele lutou por pessoas; ele não amou as minorias, ele amou os que cruzaram seu caminho; ele não libertou o escravo de seu amo, ele libertou o escravo de si mesmo. Ele amou os discípulos, serviu aqueles que andavam com ele, comiam com ele, dormiam com ele; e os amou até o fim, mesmo em meio a muitas falhas.

Você ama o próximo como a ti mesmo?

Por que Jesus falou para amarmos o próximo como a nós mesmo? A resposta é simples: porque se amarmos alguém como nos amamos ele não será mais um na multidão. Não será uma causa a ser defendida, uma classe de pessoas a ser auxiliada. Afinal, quando se trata de amor não queremos ser mais um na multidão. Queremos alguém que nos ouça, que olhe em nossos olhos, que valorize nossos problemas, que esteja conosco nas nossas necessidades, lutas e fraquezas. Dizer eu amo os pobres da África, eu amo as crianças ou eu amo os injustiçados é pura balela. Você não ama nada! Você pode ter dó, piedade, misericórdia ou algo assim. Amor não. Veja bem, não estou afirmando que não devemos lutar contra as desigualdades sociais, em favor do oprimido. Estou dizendo que lutar pelos oprimidos não é amar o próximo. Se você luta pelos oprimidos, parabéns! Continue em sua labuta e desejo-lhe vitória em todas as suas batalhas. Mas se você não ama o próximo, não está cumprindo o mandamento de Jesus. Um não substitui o outro. Jesus não lutou pelas classes oprimidas de seu tempo, mas amou intensamente todos que cruzaram seu caminho. Militar pode ajudar a melhorar a sociedade, se obtivermos sucesso, amar certamente muda a nós mesmos e a quem amamos, e sempre se obtém sucesso. Talvez não o sucesso pomposo que se obtém ao ser um líder social que logra êxito em seus projetos...

É certo que, se todos amassem o próximo não seria necessário luta social... Isso é possível?

Eu acho o seguinte: nunca alcancemos uma sociedade em que todos amem o próximo. Entretanto, aos que se dizem seguidores de Jesus, amar o próximo é obrigatório. Boa sorte!