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Filho imperfeito

Não posso negar que o título do Blog foi influência do livro Proibida a entrada de pessoas perfeitas de John Burke. Sempre soube o quão imperfeito eu sou e a cada dia que me vejo mais íntimo de Deus percebo que sou mais imperfeito ainda. Bom notar que Deus, que por sua vontade me tomou como filho, por adoção, continua me amando, me ouvindo e desejando o meu bem, não porque é cego ou ignora minhas falhas, mas porque ele me ama pelo que sou não pelo que eu faço. Deus me adotou como filho... é, Ele gosta de mim, mesmo eu sendo EU. Sou afortunado!

A confusão, que nos leva a desejar atingir uma perfeição impossível, começa em nossa infância e é turbinada quando somos filhos de pais crentes (eu não fui): "Filhinho se você fizer isso Deus vai te mandar para o inferno". Então crescemos achando que Deus está prontinho para nos lançar em um poço de enxofre fervente quando não fazemos a coisa que Ele quer, quando não somos perfeitos. Ôôô deus iracundo, vingativo e carente. O problema é que ao crescermos tomamos consciência que não daremos conta de ser perfeitos e que e lei mata, então seguimos 2 caminhos: ou mentimos nos dizendo perfeitos, escondendo nossas falhas, ou desistimos, pois esse "deus carrasco" é um saco e muito incoerente, pois apesar de dizer que é amor, quer é me ver tostando no inferno!

Mas então, olhamos para Jesus, que sendo Deus, perfeito, não considerou toda essa perfeição e virou gente, frágil, imperfeito, e totalmente dependente do Pai, para ainda por cima morrer em uma cruz. E ai, Paulo, quando fala sobre isso na carta aos Filipenses, capítulo 2, nos diz para termos o mesmo sentimento dele, de Jesus. Não era a perfeição que Jesus buscava, pois Ele era perfeito e negou essa perfeição, mas a dependência do Pai, o amor que nos move a nos fazermos iguais aos imperfeitos, amá-los e servi-los até a morte.

Saber que faço parte dessa família, não por merecimento, mas por adoção; que Jesus é meu irmão, que posso me espelhar nele, que ele me ama incondicionalmente e que nosso Pai quer meu bem, me faz continuar... Essa certeza, de fazer parte de uma família celestial, me motiva a buscar agradar o Pai, viver com Ele, amá-lo e buscar sua vontade, não porque serei perfeito, mas porque quero viver como Ele..

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Ora, Jesus, uma vez entre nós outra vez, certamente usaria da mesma sabedoria que usou quando andava pela Terra, nas ruas da Palestina, não aderindo a nenhum dos postulados dessas denominações, das propostas das grandes corporações da fé e dos super conglomerados da religião, das igrejas-empresa que superestimam números, estatísticas e resultados de crescimento numérico, não se encaixando em nenhuma bitola teológica sistemática ou dogmática, não se deixando caber em nenhuma fôrma doutrinária…